Infelizmente não pude acompanhar os amigos duros do pedal, pois tinha uma etapa combinada com o meu grande amigo Ricardo Esteves na "serra Mãe" ou melhor serra da estrela, bem o Ricardo foi um cicerone impecável com o track que tinha programado.
Ás 04 da manha toca o despertador bem nem queria acreditar, é que no dia anterior fiz anos de casado e um jantarinho bem comido e regado com uma valente vinhaça,na companhia das minhas mais queridas, Paula e Beatriz. a hora combinada de saída era 05 da manha para nos deslocarmos até á terra do Ricardo " Fornos de Algodres", viagem tranquila e em menos de 3 horas chegamos ao destino.
Bem nunca tinha estado daquele lado da serra, e a vista do município ficou ofuscada com a neblina que se fazia sentir por volta das 08.30, ainda pensei que iríamos apanhar chuva, vá lá que levei a capa, fizemos-nos á estrada por volta das 09 depois do Ricardo e eu cumprimentarmos o seu pai, e falarmos um pouco enquanto nos equipávamos, bem vou ser sincero, estava com um nervoso miudinho, 1º porque nunca tinha andado em alta montanha e 2º porque não sabia bem que ritmo iríamos impor em tão complicada subida.
Café tomado e lá rumamos em direcção á cidade de Seia, que fica mais ou menos a 20 e poucos km, o que serviu lindamente para efectuar um óptimo aquecimento que viria a ser a melhor opção, começamos a subida a um ritmo calmo com o pulso cardíaco a não ultrapassar os 170 e o alarme estava aos 165, curva após curva rampa após rampa lá fomos subindo, o Esteves é impressionante o motor ia ao relantim lol, e só me dizia´"- há até ao sabugueiro não custa nada, e eu só me apetecia dizer-lhe estás a brincar não, hehehe prós fortes não custa nada, lol".
Mas com calma lá chegamos á aldeia mais alta de Portugal continental, uma paragem rápida na placa para a posteridade e uma risota pegada, devido ao telemóvel que não queria tirar uma foto do momento, mas la consegui, e até ficaram boas.
Que cara de cromos,lol.
Chegada á torre com 1h.50m, não foi a melhor marca para os 29km, mas a intenção era procura o melhor ritmo para subidas de alta montanha e também treinar em altura, pois tínhamos programado um dia a andar de bike acima das 5h de treino o que se veio a confirmar, conforme diz o garmin, 6h.30m, bom chegados á torre mais uma pequena paragem para umas fotos e uma coca fresquinha que soube que nem ginjas.
Pela subida acima temos tempo para pensar em tudo e também de verificar que o nosso país é brutal com paisagem de cortar a respiração, e de bike temos uma preçepção que não temos quando passamos por esses locais de carro.
Como por exemplo estas.
Bom lá resolvemos o problema do boyoux e tínhamos mais uma dura tarefa pela frente, era a subida de Manteigas para as Penhas Douradas, mais 20km a subir mas é daquelas subidas que nos faz lembrar as subidas das grandes voltas com curva atraz de curva e o mais curioso era para onde virasse-mos ficávamos sempre com a vila de Manteigas á vista, mas a uma altitude bem diferente, e quanto acabamos a subida estávamos a uma cota de 1700m.
Forças restabelecidas com uma barra e um gel, só faltava restabelecer a agua, e o amigo Ricardo foi um grande cicerone, levando-me a alguns sítios bem curiosos, caso da fonte do Monteguinho, para quem não sabe é onde nasce o rio Montego, como é possível de uma pequena nascente acabar num grande rio, bem a água era maravilhosamente fresca e saborosa, sim porque a água tem sabor, simplesmente brutal, tempo para mais umas fotos, para mais tarde recordar.
Era então hora de voltarmos a casa, que ainda estava a uns bons 40kms, descendo em direcção a Gouveia, mais uma descidas feita nas calmas não fouse o boyoux sair da roda, uma descida que se pode tornar numa penosa subida bem dura sem nenhum ponto de descanso, a subir claro ainda bem que a descemos, pelo meio a ultima paragem, na cabeça do velho ainda a uma cota de 1200m, e claro mais umas fotos.
A nossa etapa estava a chegar ao fim, faltando só finalizar a descida até Gouveia, e o trajecto até Fornos de Algodres, onde nos esperava um franguinho feito no forno, feito pela amavél mãe do Ricardo e pelo pai que me receberam na sua casa como se estivesse na minha, MUITO OBRIGADO.
De salientar para finalizar, o clima esteve sempre impecável, nas subidas céu coberto o que foi bom devido ao calor que se fazia sentir quando abria, a ausência de vento e a companhia, sempre paciente companhia que nas subidas podia ir e dar-me uns valentes minutos e por fim a dureza que é chegar á casa dos pais do Ricardo ao lugar de Enfias, que depois de um valente empeno ainda temos que fazer umas rampas durissimas.
Uma espetacular jornada, para repetir.
Cumprimentos
Bruno Afonso


